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Camilo da Silva destaca recuperação das contas, avanço da produção e articulação política em PodCast

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    ASCOM
  • há 2 horas
  • 5 min de leitura

Da crise fiscal à retomada da capacidade de investir

Em uma entrevista concedida no podcast Na Pele do Cordeiro, o prefeito de Plácido de Castro, Camilo da Silva, fez um balanço da trajetória política e administrativa à frente do município e apresentou um relato centrado em três pilares: reorganização das contas públicas, ampliação das parcerias institucionais e fortalecimento da capacidade de investimento da prefeitura.

Ao revisitar os primeiros momentos de sua gestão, Camilo destacou o cenário financeiro encontrado pelo município e afirmou que a administração precisou adotar medidas de austeridade para recuperar a credibilidade institucional e recolocar Plácido de Castro em condições de acessar recursos e celebrar novos convênios.

Segundo o prefeito, quando assumiu a prefeitura em janeiro de 2021, o município acumulava 18 restrições no sistema de informações utilizado para transferências voluntárias, situação que, em sua avaliação, comprometia a capacidade administrativa e financeira da cidade. Conforme relatado na entrevista, em aproximadamente oito meses, até agosto daquele mesmo ano, as pendências foram regularizadas e o município voltou à condição de adimplência.

A estratégia, de acordo com Camilo, passou também pela renegociação de débitos, regularização de parcelamentos e cumprimento dos compromissos financeiros. O gestor ressaltou que fornecedores, servidores e encargos passaram a ser tratados dentro de uma política de maior rigor fiscal.

Outro ponto apresentado como parte desse processo foi a redução da estrutura administrativa. O número de secretarias municipais, segundo o prefeito, caiu de 16 para 6 pastas, numa tentativa de reduzir despesas e concentrar a estrutura do Executivo nas áreas consideradas prioritárias.

Camilo afirmou ainda que os secretários que permaneceram na administração exercem papel estratégico na condução das políticas públicas. Durante a conversa, o Secretário de Gestão Pública Rogen Lima foi citado pelo gestor como uma espécie de “primeiro-ministro” do município, em referência à proximidade e à participação nas decisões da administração.

Agricultura como vetor econômico

Para além das contas públicas, a entrevista também colocou a produção rural no centro da estratégia de desenvolvimento de Plácido de Castro.

Camilo destacou o crescimento da atividade agrícola, especialmente na produção de soja e milho, e defendeu a consolidação do município como uma área com potencial para ampliar sua participação na cadeia produtiva regional.

Na visão apresentada pelo prefeito, o fortalecimento do agronegócio precisa caminhar paralelamente à melhoria da infraestrutura. Nesse contexto, as condições de trafegabilidade das principais vias de acesso aparecem como uma preocupação permanente da administração.

A Rodovia AC-40, principal ligação terrestre de Plácido de Castro com Rio Branco, foi apontada como uma das prioridades. O prefeito também mencionou a importância da Rodovia AC-475 e do ramal Novo Horizonte, este último tratado como uma espécie de terceira rota de ligação entre o município e a capital.

A manutenção dessas vias, segundo Camilo, possui impacto direto não apenas sobre o deslocamento da população, mas também sobre o transporte da produção e a circulação de mercadorias.

Parcerias para superar limites da arrecadação

O prefeito também reconheceu as limitações da arrecadação própria de Plácido de Castro. Por não possuir uma base industrial expressiva ou atividades como exploração de petróleo e mineração, o município, segundo ele, precisa recorrer a uma articulação política mais ampla para viabilizar obras estruturantes.

Nesse cenário, Camilo enfatizou a importância da relação institucional com o Governo do Estado e com a bancada federal do Acre.

A estratégia, conforme relatada, consiste em buscar emendas, convênios e investimentos externos para executar obras e ampliar serviços sem comprometer o equilíbrio das contas municipais.

A avaliação do prefeito é que a articulação entre Prefeitura, Estado e parlamentares pode transformar limitações orçamentárias em capacidade de realização, especialmente em setores como infraestrutura, saúde e atendimento à população da região de fronteira.

Saúde: especialistas no município e transporte para a capital

Na área da saúde, Camilo destacou a mudança na dinâmica do atendimento especializado. Segundo o gestor, médicos especialistas passaram a se deslocar até Plácido de Castro para atender pacientes, reduzindo a necessidade de viagens frequentes a Rio Branco.

A reativação do centro cirúrgico do Hospital Dr. Manoel Marinho Monte também foi apontada como uma conquista relevante. De acordo com o prefeito, centenas de procedimentos cirúrgicos já foram realizados desde a retomada das atividades.

A proposta, segundo ele, é fazer com que o cidadão consiga resolver dentro do próprio município uma parcela cada vez maior de suas necessidades de saúde, deixando para a capital apenas os casos que exigem estruturas ou procedimentos ainda indisponíveis localmente.

Para tratamentos que dependem de Rio Branco, a exemplo da hemodiálise, o município mantém transporte gratuito. A logística, conforme explicada pelo prefeito, contempla o deslocamento do paciente até a capital, a espera durante o atendimento e o retorno à residência.

O serviço, segundo Camilo, busca evitar que famílias de menor renda tenham de assumir custos de transporte em tratamentos que exigem deslocamentos recorrentes.

Desenvolvimento além das fronteiras

Outro assunto abordado na entrevista foi o impacto econômico da Universidade Amazônica de Pando, instalada na Vila Evo Morales.

Localizada em uma região estratégica de fronteira, Plácido de Castro mantém relações econômicas e sociais que ultrapassam os limites territoriais brasileiros. Para o prefeito, a presença de estudantes e a circulação de pessoas entre os dois países podem representar novas oportunidades para o comércio e para a economia local.

A localização geográfica, nesse contexto, aparece como um ativo que pode ser melhor aproveitado pelo município, especialmente com investimentos em infraestrutura, serviços e fortalecimento das atividades comerciais.

Articulação política e apoio a Mailza

No campo político, Camilo também comentou o cenário eleitoral e declarou apoio à governadora Mailza Assis (PP), posicionando-se dentro do grupo político que trabalha pela continuidade do projeto governamental no Acre.

A manifestação ocorre em um momento de intensificação das articulações políticas no Estado, no qual prefeitos e lideranças municipais passam a exercer papel relevante na formação das alianças e na mobilização de bases eleitorais no interior.

Sem dissociar a política da administração pública, Camilo apresentou sua atuação como resultado de uma construção que, segundo ele, depende de diálogo permanente com diferentes esferas de poder.

“A cidade é um direito do cidadão”

Ao longo da entrevista, o prefeito também reforçou uma concepção política sobre o papel do poder público: a cidade deve pertencer ao cidadão.

A declaração sintetiza, segundo a linha apresentada por Camilo, uma visão de administração que pretende colocar o interesse coletivo acima de interesses particulares ou comerciais.

Nesse entendimento, transparência, organização financeira e prestação de serviços públicos seriam instrumentos para devolver à população aquilo que, na avaliação do gestor, constitui um direito básico: viver em uma cidade estruturada, com acesso à saúde, educação, infraestrutura, produção e oportunidades econômicas.

Ao fazer um balanço de sua passagem pelo Executivo municipal, Camilo procura, assim, associar a reorganização fiscal à capacidade de investimento e, consequentemente, aos resultados que a administração pretende apresentar à população.

Entre números, obras, articulações políticas e projetos para o setor produtivo, o discurso do prefeito aponta para uma tentativa de consolidar Plácido de Castro como um município financeiramente mais organizado, economicamente mais ativo e politicamente articulado para enfrentar os desafios da região de fronteira.

A entrevista também expôs a estratégia política do gestor para os próximos capítulos: preservar o equilíbrio das contas, ampliar parcerias, fortalecer a produção e manter a prefeitura como protagonista na busca por investimentos capazes de transformar demandas históricas em ações concretas.

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